sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS

Ja falei isso antes, não gosto de ter que fazer escolhas. Ainda menos escolhas definitivas. Não gosto sequer de ter que escolher. É angustiante. Nunca tenho certeza se a camisa preta é melhor que a branca, que o restaurante japonês é melhor que o italiano, se a praia é melhor que a serra, se namorar é melhor que ficar sozinho. Mas respiro fundo e mentalizo, como um mantra: “decide e segue em frente sem olhar para trás”. Com camisas, destinos de viagens e restaurantes é mais fácil. E quando é preciso escolher se caso ou compro uma bicicleta? Sou piegas, sempre quero casar, embora bicicletas, às vezes, sejam o melhor negócio. Não por carência, vivo bem sozinho. Arrumo a mesa para um sem maiores sofrimentos. Mas ter a casa cheia é melhor.

Penso que sentimos esse desconforto quando somos obrigados e escolher porque temos a memória de quando éramos crianças e o mundo era tudo o que quiséssemos. Bastava uma manha, um chorinho, um pedido lacrimejante entre beiços e pronto. O mundo era menos complicado também. Onde foi que perdemos a simplicidade infantil? No mundo dos adultos não podemos ter tudo ao mesmo tempo. Pior, não podemos nem querer tudo ao mesmo tempo. Porque no mundo dos adultos, diferente do universo infantil, se escolhemos uma coisa temos que abrir mão de outra. Adultos não podem dizer que querem sushi e spaghetti ao sugo na mesma refeição. As crianças amamentadas no peito podem sugar um seio e segurar o outro com a mão. Mais que um gesto de aconchego e carinho, é uma forma de demarcar seu território, determinar que possuem ambos os seios, a mãe inteira é delas. Às crianças é permitido o egoísmo sem limites. Quando crescemos, temos que mamar em apenas um seio e abandonar o outro.

Quando escolhemos um caminho, estamos fadados a não saber nunca mais como seria se tivéssemos escolhido o outro. Claro, só tenho esses pensamentos quando alguma coisa dá errado no caminho que escolhi. Se está tudo bem, tudo sob controle, posso estufar o peito e me sentir “o cara”. Porém, meus caminhos nem sempre são os mais seguros e tranquilos. Na verdade, quase nunca. Escolho as lombadas pedregosas, as curvas sinuosas, os túneis escuros. Várias vezes caminhei até chegar ao fim da estrada pedregosa e tive abrir picada com a mão. Não, não gosto de viver perigosamente, sempre procuro aquela estradinha retinha e lisinha, com uma paisagem bonita e um solzinho leve. Mas o que posso fazer se o que quero é difícil de conseguir?

Comentava com amigos que o bom de viver com dificuldades é que a gente aprende na dor, cresce com os sofrimentos e valoriza muito mais cada vitória. Cada golpe que dei para abrir caminho me mostrou que sempre se pode ir adiante. E é deliciosa a sensação de derrubar uma muralha e ver o que tem do outro lado. Sem arrependimentos.

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